Estilo de vinculação seguro: o que significa no namoro

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Um homem de calças cáqui e uma mulher de vestido branco caminham por um caminho de um parque de mãos dadas, fotografados da cintura para baixo.
Foto: Wikimedia Commons, CC0

Um estilo de vinculação seguro é um padrão nas relações próximas: a pessoa sente-se à vontade com a proximidade e com o facto de depender de um parceiro ou de uma parceira, e não teme muito que a outra pessoa se vá embora. Os investigadores estudam-no como um dos estilos de vinculação em adultos, e num estudo feito com adultos nos EUA a maioria descreveu-se como segura.

O que é um estilo de vinculação seguro?

A teoria da vinculação nasceu do trabalho de John Bowlby sobre a ligação dos bebés a quem cuida deles. Em 1987, Cindy Hazan e Phillip Shaver quiseram ver se a mesma ideia servia para o amor romântico entre adultos. Pediram aos participantes que escolhessem a descrição que melhor retratava o que sentem nas relações próximas, e uma das opções era o estilo seguro: custa pouco aproximar-se dos outros e é confortável depender deles. As outras duas eram o estilo evitante, que mantém distância, e o ansioso, que teme o abandono.

Um estudo de Chris Fraley e colegas, de 2015, concluiu que a vinculação nos adultos se descreve melhor com duas escalas do que com tipos separados. Uma é a ansiedade na vinculação: o quanto te preocupa que a outra pessoa se vá embora ou deixe de se importar contigo. A outra é a evitação na vinculação: o quanto te afastas da proximidade e de depender de alguém. Quem pontua baixo nas duas escalas tem aquilo a que os investigadores chamam vinculação segura, e qualquer pessoa pode ficar um pouco mais acima ou mais abaixo em cada uma delas.

As perguntas da Jastado estão a ser escritas a pensar nestas duas escalas, para que as respostas mostrem o que alguém pensa sobre a proximidade e sobre depender de um parceiro ou de uma parceira. Junta-te à lista de espera da tua cidade.

Como se vê um estilo de vinculação seguro numa relação?

No estudo de 1987, a descrição do estilo seguro dizia que:

  • é-te fácil aproximares-te dos outros
  • sentes-te bem a depender de quem está contigo e a deixar que essa pessoa dependa de ti
  • raramente te preocupa que te deixem
  • não te inquieta que alguém se queira aproximar de ti

Tudo isto vem da forma como as pessoas se descrevem a si próprias. Além disso, a sensação de segurança muda com o tempo na mesma pessoa, por isso uma conversa tensa diz pouco sobre alguém.

Qual a frequência de um estilo de vinculação seguro?

Numa amostra nacional representativa dos EUA, de 1997, cerca de 59% dos adultos descreveram-se como seguros, 25% como evitantes e 11% como ansiosos. Cada pessoa escolheu o parágrafo que melhor lhe servia, por isso estes números mostram como as pessoas se viam a si próprias. Os valores somam 95%, e o estudo tem quase 30 anos. Nenhum destes números te diz que estilo tem uma pessoa em concreto.

O estilo de vinculação pode mudar?

A segurança em relação ao parceiro ou à parceira sobe e desce ao longo do tempo, embora seja bastante estável no conjunto. Num conjunto de estudos de Girme e colegas, a sensação de segurança da maioria das pessoas em relação ao parceiro ou à parceira oscilou, e as oscilações maiores coincidiram com menos satisfação na relação. Uma revisão de Chris Fraley e Glenn Roisman, de 2019, concluiu que as experiências da infância não decidem o estilo de vinculação de uma pessoa na idade adulta. As ligações entre a vinculação na infância e na idade adulta são fracas e variam consoante a forma como os investigadores as medem.

O par também conta. Num estudo com 134 casais, mais confiança no parceiro ou na parceira foi seguida de menos evitação, e o apoio do parceiro ou da parceira aos objetivos de alguém foi seguido de menos ansiedade. É um só estudo, e não prova que tenha sido a confiança a causar a mudança. Uma relação segura e estável pode ajudar alguém a sentir mais segurança. Não é motivo para ficares com quem te trata mal.

Idade e situação amorosa

Um estudo com 86 555 adultos entre os 18 e os 70 anos encontrou a ansiedade na vinculação mais alta nos adultos mais novos e mais baixa na meia-idade e depois. A evitação era mais alta na meia-idade. Quem estava numa relação tinha valores mais baixos nas duas escalas do que quem estava solteiro. O estudo não consegue mostrar se foram as relações que baixaram os valores ou se quem pontuava menos tinha mais probabilidade de estar numa relação. Cerca de 72% das pessoas do estudo eram mulheres. Escolheram responder a um inquérito online, por isso os resultados podem não servir para toda a gente. Os resultados descrevem grupos e não te dizem o que te vai acontecer.

Namorar com alguém com estilo de vinculação seguro

Não dá para perceber o estilo de vinculação de alguém num primeiro encontro, e alguns bons encontros não provam nada. Diz mais a forma como alguém se comporta ao longo de várias semanas. Repara se essa pessoa:

  • faz o que diz que vai fazer
  • consegue falar de um desacordo sem te castigar por isso
  • respeita os teus planos e o tempo que passam separados

Perguntas que vão além da conversa de circunstância mostram-te como alguém pensa a proximidade, e um primeiro encontro descontraído dá-te espaço para ver isso. Se estás a perceber o que precisas de quem está contigo, as perguntas para conversas profundas são uma forma de começar.

Onde isto não se aplica

  • Os testes online não são um diagnóstico. Um teste na internet não te diz o teu estilo. A investigação usa questionários longos, e mesmo esses descrevem padrões.
  • Uma etiqueta não é uma sentença. Ninguém fica preso a «ansioso» ou «evitante», e ninguém é seguro em todos os momentos.
  • Se a proximidade te custa, ou se o teu passado faz com que namorar pareça pouco seguro, um profissional de psicologia ou psicoterapia com cédula profissional pode ajudar de uma forma que um artigo não consegue.
  • Se estás numa relação que não é segura, vê a nossa página de confiança e segurança. Podes ligar à linha de apoio da APAV, 116 006. Numa emergência, liga ao 112.

Resumo

Um estilo de vinculação seguro é sentir-se à vontade com a proximidade e com o facto de depender de um parceiro ou de uma parceira. Os investigadores medem-no em duas escalas, e pode mudar com o tempo. Avalia alguém pela forma como age ao longo de várias semanas, e fala com um profissional de psicologia ou psicoterapia com cédula profissional se a proximidade te custar.

Para saberes mais, lê as perguntas para conhecer alguém, as ideias para o primeiro encontro e as perguntas para fazer à namorada.

Perguntas frequentes

O que é um estilo de vinculação seguro, em poucas palavras?
É sentir-se à vontade com a proximidade e com o facto de depender de um parceiro ou de uma parceira, e confiar que a outra pessoa vai estar presente. Os investigadores medem-no como ansiedade baixa e evitação baixa nas relações próximas.
Qual a frequência de um estilo de vinculação seguro?
Numa amostra dos EUA de 1997, cerca de 59% dos adultos descreveram-se como seguros. Era uma descrição que cada pessoa fazia de si, por isso serve só como indicação aproximada.
Um estilo de vinculação inseguro pode tornar-se seguro?
A investigação sobre mudanças duradouras é escassa. A segurança em relação ao parceiro ou à parceira varia ao longo do tempo, e as primeiras experiências não decidem a vinculação na vida adulta. Um terapeuta pode ajudar se quiseres apoio nisso.
Um estilo de vinculação seguro é o mesmo que uma relação saudável?
Não. Descreve como uma pessoa costuma sentir-se e agir nas relações próximas, e não se uma relação em concreto lhe faz bem.
Uma pessoa segura pode sentir ansiedade numa relação?
Pode. Os estudos mostram que a segurança varia na mesma pessoa ao longo do tempo, por isso qualquer pessoa pode sentir-se menos segura num momento difícil.

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